Falta de planejamento para ter um pet atinge 60% dos consumidores do País

Em contrapartida ao planejamento de gastos estão 14% dos consumidores, que alegaram ter ficado com o nome sujo por conta do excesso nas compras
Cada vez mais parte da família, os brasileiros não têm medido esforços na hora de agradar seus animais de
estimação. Com isso, os gastos podem ser muito altos dependendo dos produtos que os donos proporcionam aos pets. Caso não haja planejamento financeiro , esses agrados podem trazer prejuízos para o orçamento.De acordo com uma pesquisa elaborada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 60% dos consumidores brasileiros, de todas as capitais, afirmaram não se planejar financeiramente para a aquisição do animal de estimação, sendo que 20% relataram gastar mais do que podem com compras direcionadas a eles.

A pesquisa mostrou que a crença de que os pets merecem os produtos, com 30%, e a sensação de felicidade que uma compra para o animal proporciona, com 24%, foram apontadas como as principais justificativas daqueles que extrapolam no orçamento. Outro dado apontado é que 35% dos entrevistados esbanjam nos gastos com alimentos, 22% com serviços de pet shop e 20% com brinquedos. Entre os que não controlam os gastos mensalmente, 26% afirmaram não achar a prática necessária e outros 26% não tem o hábito de controlar as finanças, no geral.

Dívidas
Aqueles que já deixaram de comprar algo de seu uso ou pagar alguma conta para poder adquirir produtos para o seu pet detiveram 31% das menções, enquanto os que não medem esforços para pagar tratamento de saúde representaram 37%. Já a maioria, com 71%, nunca deixaram de guardar dinheiro para si ou para a família por conta do animal de estimação.

Em contrapartida ao planejamento de gastos estão 14% dos consumidores, que alegaram ter ficado com o nome sujo por conta do excesso nas compras de produtos e serviços, sendo que 8% estão nessa situação devido a um gasto urgente com a saúde do animal.

Aproximadamente 73% já tiveram gastos imprevistos com seu animal, principalmente com doenças, com 54% das respostas, e 44% já chegaram a comprometer o orçamento ou se endividaram também por conta da saúde de seu fiel amigo. Outros 50% disseram nunca ter passado por isso, porém afirmaram que se passassem, fariam o mesmo pelo seu pet.

Dos que fizeram dívidas, 47% alegaram que não estavam preparados para tais gastos, pretendendo pagar com o cartão de crédito, com 33%. Já 8% fizeram um empréstimo com amigos ou parentes.

Para o educador financeiro do Meu Bolso Feliz, José Vignoli, é perigoso se deixar levar por aspectos emocionais. “Justamente por ser uma relação de carinho e cuidado, é normal a pessoa querer dar o melhor para o pet, sem se preocupar com valores financeiros. Mas os gastos precisam ser controlados mensalmente, assim como qualquer outra despesa da casa, para não chegar a comprometer o orçamento. Uma dica é evitar idas não planejadas ao pet shop e fazer uma lista antes de sair de casa, pensando em adquirir apenas o necessário. Outro ponto importante é formar uma reserva financeira para estar preparado em casos de emergência”.

Pesquisa de preço
O levantamento ainda evidenciou que não são todos os donos de animais de estimação que não se planejam, uma vez que 19% asseguraram se planejar parcialmente, levando em conta alguns custo e 17% costumam analisar se podem ou não arcar com os custos para criar o animal. A grande maioria, com 90% afirmaram que o gasto dos últimos três meses com os bichinhos está dentro do orçamento e 69% disseram já ter o hábito de controlarem o orçamento, incluindo esses custos.

Oito em cada 10 entrevistados, ou seja, 81% também asseguraram pesquisar os preços antes de comprar produtos e serviços para seu animal de estimação, assim como 38% que economizam em coisas para si para poder dar o melhor para o pet.

Crise
Mesmo que o faturamento do mercado pet no Brasil tenha apresentado crescimento ao longo do ano passado, na comparação com 2015, o setor não se mostrou isento à crise econômica. Segundo a pesquisa, neste ano, 46% dos consumidores compraram a mesma quantidade de produtos para seus animais do que em 2016, enquanto 23% diminuíram. Entro os que reduziram os gastos, 33% tinham como intuito economizar e 30% só reduziram o consumo por conta da diminuição de renda. Cerca de 25% frearam as compras por perceberem um aumento nos gastos.

Outro destaque do estudo é que 75% dos entrevistados afirmaram ter reorganizado os gastos com seus animais de estimação, com o objetivo de manter o orçamento em dia, sendo que 29% compraram somente itens essenciais, 23% diminuíram as idas ao pet shop e 19% as idas ao veterinário.

As rações mais caras, com 23%, os brinquedos, com 20%, os banhos em pet shops, com 18% e os serviços em pet shop, com 16% foram os itens que mais sofreram cortes ou redução no consumo por conta da crise econômica. Outros 55% cortaram os gastos com itens menos importantes para o dia a dia do animal e 27% eliminaram os gastos com produtos e serviços mais caros.

“É visível que os efeitos da recessão, em maior ou menor grau, já alcançaram também o mercado de produtos e serviços para os pets. A tendência natural é que parte dos consumidores adote medidas de contenção, sobretudo eliminando gastos supérfluos, como muitos já vêm fazendo em relação a outros itens de consumo cotidianos. Isso, por sua vez, poderá impactar o resultado final das vendas do setor ao final deste ano. O tamanho deste impacto, contudo, ainda é incerto e dependerá do desempenho da economia nos próximos meses”, concluiu a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

FONTE: Ig