MEL, meu pingo de mel !!!

Amigos e Amigas,

Recebi ontem este emocionante email da Cristina, dona da Mel que divulgamos ano passado como desaparecida, contando toda a trajetória que a Cristina fez para reencontrar sua amada Mel.
Meu coração sempre fica em festa ao saber que mais um animalzinho perdido e indefeso teve oportunidade de retornar ao seu lar e a sua família.
Parabenizei-a pela iniciativa, pelas várias idéias que teve e as pôs em prática, por tantos contatos que fez, por todos cartazes, panfletos, tenha certeza que hoje ela retornou a você por toda sua luta e dedicação.
Uma bela história que faço questão de repassar aos amigos, que sirva de experiência que as dicas dadas possam ser aproveitadas e o principal, que a fé no reencontro seja renovada. Sua história nos mostra que nada é impossível, que não existe o tempo… foram 4 meses de busca e ela retornou.
Forte abraço,
Carla

Em 6 de março de 2012 20:16, Cristina Clark <cristinaclark> escreveu:

Queridas amigas,

Para aquelas que já sabem e para as que desconhecem envio o relato/notícia de que e como encontrei a Mel. Depois de quatro meses e meio recebi uma ligação de um caminhoneiro, informando que a recolheu exatamente no dia em que eu perdi, ou seja, ele informou que estava subindo a serra devagar e viu a Mel no refúgio da estrada onde parei para socorrer minha netinha que estava passando mal e a Mel desceu e ninguem reparou. Aí aconteceu aquela desgraça, a tragédia que perdurou durante 4 meses e meio.

Ele a colocou na " boleia do caminhão" e a levou para sua casa, que é em São José do Rio Preto, 1 hora e meia depois do malfado local. Disse que sua filha tomava conta da Mel. Ela retornou muito magra, parecia um saquinho de ossos, com conjuntivite crônica e com a visão muito pior, afinal foram 4 meses e meio, tempo que faz diferença para um cão, sobretudo afastado da família e com acentuada mudança de hábitos, com quase 14 anos.

Ele telefonou para o celular da minha filha falando sobre a Mel e a Marina pediu para o caseiro do nosso sítio em Itaipava que fosse até São José, a fim de certificar-se se realmente era ela. Uma vez constatato pelo caseiro que efetivamente era a Mel minhas filhas tiveram o cuidado de ir pegá-la e a trouxeram para o Rio.
Até este momento eu nada sabia…

As meninas me falaram por telefone de "uma surpresa que fariam para mim e que elas estavam indo buscar o meu presente de natal". E eu nem podia imaginar que era um pedacinho de mim que estava retornando para casa. Acho que foi o melhor presente que recebi em toda a minha vida. A emoção foi tanta, eu chorava, ria, gritava, apertava a Mel, ela beijava todo o meu rosto molhado de lágrimas, uma cena emocionante. Toda a família presente, mais alguns amigos. Até meu genro, que é médico, foi intimado a chegar mais cedo porque havia o justo receio que e u passasse mal e precisasse de um médico.

Hoje ela esta muito melhor, comendo bem e, embora enxergue mal já reinicia algumas brincadeiras diárias. Ir à rua, só no colo, tem medo pois enxerga mal , mas em casa esta ótima. Medicada, come bem, dorme na bolsa de viagem que elegeu para cama, enfim, está em casa, seu porto seguro.

Entretanto, neste período de ausência da Mel, tive a honra e a felicidade de me aproximar de inúmeras protetoras, tais como você, que divulgaram minha busca desesperada pela minha pequenina. Por exemplo: uma delas me pediu por e-mail um lar temporário para um cachorrinho que havia sido encontrado em frente ao INCA, no Rio, amarrado em um poste com um fio de telefone azul, que foi chamado de Vitório. Esta protetora, pela qual tenho imenso respeito e adminração chama-se Karla Alves.

Resolvi ajudar a Karla ficando temporariamente com o êle. Conclusão: ele acabou ficando comigo, hoje seu nome é BENTO e quando a Mel retornou, eu já o amava demais. A Karla, gentilmente, até se ofereceu para conseguir outro lar para êle, mas não deu. Ele quase morreu de ciúme da Mel, porém hoje são grandes amigos e estamos todos em paz.

A Márcia Nunes, de Itaipava, foi e continua sendo uma pessoa especialíssima. Foi ela que quase que diariamente escutava minhas lamentações, meu choro quando ligava para ela à noite. Me ajudou muito naquela época e tornou-se minha amiga. Ela me foi apresentada pela Marcia Magalhães, também protetora independente e que já era minha amiga anteriormente ao fato e que teve a lucidez de, ao saber da tragédia, me apresentar à Marcia Nunes, por saber que esta conhece inúmeras pessoas da proteção e poderia me ajudar.

Hoje possuo um verdadeiro kit procura de animais perdidos. Fiz contato com todas as rádios, televisões que me ajudaram na divulgação. Diariamente e em horários diferentes vi e ouvi, não só em Itaipava, Correas, Petrópolis, Areal, Posse, Caxias, Belfort Roxo, Juiz de Fora e outros estados de MG, etc, o anúncio da perda – felizmente temporária – da Mel. Fixei o cartaz em alguns caminhões que me autorizaram e fizeram divulgação através das estradas que percorreram.

Distribui 2.500 panfletos entre pet shopps, casas de ração, clínicas veterinárias, mercados, padarias, caminhões, todas as barracas de coco da serra de Petrópolis, inclusive a " Barraca da Lora" , na subida da serra, que foi onde o caminhoneiro informou que leu meu pedido desesperado constante do famoso banner de 1.20 x 0.80m, que lá permaneceu por 4 meses e meio !

Fui pessoalmente a todos os sítios da serra, da subida e da descida, percorri e panfletei em todas as comunidades próximas ao Bar do Alemão e Quitandinha, acompanahada de um motorista de taxi e de um senhor morador de uma delas.

A Márcia Nunes me fez a gentileza de mandar notícias pa ra todos de Petrópolis, assim, pensei que você já soubesse sobre o imenso estado de felicidade em que me encontro. Na verdade confesso que eu precisa de tempo para colocar tudo isto papel. O estresse foi imenso. Não conseguia trabalhar, rir, conversar sobre outro assunto. Adoeci, tive crise de hipertensão e por aí adiante. O cansaço físico e psicológico foi extremo. Foi horrível. Foi como um pesadelo que durou 4 meses e emio.

Mas, VALEU A PENA !

Muito obrigada pela divulgação. Muito obrigada a todas e todos os protetores e amigos que repassaram a mensagem. Agradeço imensamente as minhas filhas, especialamente à Marina, que é minha sócia no escritório e sempre que pode me acompanhou naquelas andanças. Sou grata às clínicas, aos veterinários que permitiram que o cartaz fosse fixado em seus consultórios, enfim, ao Poder Superior que me ouviu, me deu força e me ajudou a não medir esforços para que a Mel voltas se para casa.

Acredito que nada acontece por acaso. Assim agradeço pelas novas amizades que fiz, tão valiosas e que pretendo cultivar.

Coloco-ma à disposição de quem precisar de apoio, de idéias e endereços desta região em casos de perda de animais. Acreditem que existem pessoas de ótimo padrão de pensamento e caráter que gratuitamente se dispõem a divulgar a aflição de um pedido deste teor.

Peço a gentileza de divulgarem minha gratidão aqui expressa noticiando minha felicidade aos que souberam, lutaram e torceram por mim.

Beijos e um forte abraço para você e para todos, com minha eterna gratidão.

Cristina Clark