Cadela adotada por equipe da Única é encontrada 48 horas depois de acidente

Criado em Quarta, 29 Maio 2013 10:40

Pretinha sumiu depois de ter sido atropelada, no domingo. A cadela estava ao lado do prédio do DIP./Foto: Alexandre Carius.

Após ficar 48 horas desaparecida, causando mobilização entre funcionários da Viação Única e nas redes sociais, finalmente a cadelinha conhecida como Pretinha da Única foi encontrada. A vira-lata, adotada há dois anos e meio por funcionários da empresa, tem crachá e perfil na internet e já viajou para cidades como Juiz de Fora e Cabo Frio, no ônibus da empresa. Ela desapareceu no domingo, após ter sido atropelada em frente à garagem da Única. Na manhã de ontem, foi encontrada pela repórter da Tribuna de Petrópolis, Fernanda Soares.

No domingo, por volta das cinco horas da manhã, Pretinha estava em frente à garagem, local onde costuma ficar normalmente, quando foi atingida por um carro, um Chevrolet Monza. De acordo com o gerente de operações da viação Única, Luiz Assunção, um funcionário teria visto ela fugir para a calçada e depois ser colocada dentro do automóvel que a atropelou. “A princípio, como naquele dia exclusivamente estava sem a coleira com o crachá de identificação, nós acreditamos que ela tivesse sido levada para alguma clínica veterinária”, relatou. A partir daí, começou a mobilização dos funcionários da empresa. “Todos os funcionários aqui têm uma relação muito forte com ela. A Pretinha é o mascote da empresa. Por isso, todo mundo se mobilizou”, informou o gerente.

Nas redes sociais, através do perfil no Facebook da própria Pretinha, de funcionários e de ONGs ligadas à proteção de animais, a notícia começou a correr pela internet. Outros meios também foram utilizados para divulgar o desaparecimento. “Entramos em contato com a repórter da Tribuna, Fernanda Soares, na segunda-feira, pedindo ajuda”, informou a funcionária Teresa, que conduziu as buscas. Na manhã de ontem, quando completava 48 horas do desaparecimento da cadelinha, nossa equipe foi até a garagem da empresa, para conversar com funcionários e produzir esta reportagem. Por volta das 11h, enquanto conversávamos como gerente Luiz Assunção, a repórter Fernanda Soares (que havia sido comunicada do desaparecimento no dia anterior) estava no Hospital Municipal Dr. Nelson de Sá Earp quando encontrou a Pretinha. “Eu vi uma cachorrinha deitada perto do prédio do DIP(Departamento de Doenças Infecto Parasitárias). Quando vi que ela era muito parecida com a Pretinha e estava deitada, com alguns machucados pelo corpo, o que batia com a informação do atropelamento, logo imaginei que pudesse ser ela”, informou a repórter, que ainda tentou se certificar, chamando a cadelinha. “Chamei de Pretinha, mas ela não respondeu. Liguei para a Teresa e informei que tinha visto a Pretinha. Ela disse que tinha de chamá-la de Preta. Quando chamei, ela levantou a orelha”, relatou.

Ao mesmo tempo em que nossa equipe deixava a garagem da Única, por volta de 11h30, Teresa, acompanhada de outros funcionários, seguiu para o hospital para se certificar de que realmente era Pretinha que havia sido encontrada. “Foi emocionante ver a Pretinha reconhecendo os funcionários da empresa à medida que eles foram chegando. Quando viu a Teresa e outro funcionário, ela abanou o rabo, e quando viu o funcionário com o qual ela era mais ligada, levantou e foi correndo até ele”, contou emocionada também, a nossa repórter.

Logo depois da boa notícia, Pretinha foi levada para a garagem e em seguida levada para uma clínica veterinária na Rua Coronel Veiga. “Ela apresenta algumas lacerações pelo corpo. Vamos fazer uma ultrassonografia para saber se não houve fratura”, revelou o médico-veterinário André Leonardo.

Enquanto aguardavam a alta de Pretinha, os funcionários e o gerente da empresa comemoraram tê-la encontrado viva. “Ela não foi escolhida por nós. Ela nos escolheu, nos adotou há dois anos e meio. Ganhou seu espaço na empresa e foi conquistando todo mundo aos poucos. Está todo mundo comemorando o retorno (em breve) dela”, informou o gerente da empresa, que afirma que medidas serão tomadas para evitar novo atropelamento. “Ela sempre teve muita liberdade para circular aqui. Tendo em vista o que aconteceu, precisamos resguardá-la, por isso vamos adotar algumas medidas para evitar que ela vá para a rua”.

Pretinha é exemplo de cão comunitário

A cachorrinha que se tornou mascote da empresa é um exemplo de cão comunitário (animal que é adotado por um grupo de pessoas e passa a integrar a vida desse grupo). “Ela chegou aqui, começou a entrar no pátio. Chamou atenção dos funcionários, que passaram a alimentá-la. Com o tempo, os funcionários foram se afeiçoando a ela, que passou a ser parte da empresa. Até ganhou um crachá e chegou a viajar algumas vezes. Já foi para Cabo Frio e Juiz de Fora, porque entrou no ônibus e quando vimos ela já estava a caminho de outra cidade. Algumas vezes, fomos buscá-la de carro na rodoviária”, contou Luiz.

Assim como a Pretinha da Única, existem outros exemplos de cães comunitários, como o cão adotado por moradores do Morro dos Milionários, que ganhou a própria casinha, próximo à guarita, e a cadelinha adotada pelos funcionários da 105ª Delegacia de Polícia, que tem direito a seu próprio pote de água e ração dentro da unidade policial. “Quando adotamos a Pretinha, fizemos campanha estimulando outras empresas a fazer o mesmo. Com tantos animais abandonados, essa é uma maneira de amenizar o problema e dar um lar para esses animais”, informou o gerente da Única.

Vinícius Ferreira

Redação Tribuna

http://www.tribunadepetropolis.hospedagemdesites.ws/

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