ESTAMOS MUITO TRISTES – LUTO PELA CAVEIRA…

Os Nossos sentimentos dos amigos do Amigo Vira Lata…

Eu nasci muito pobrezinha…
Minha mãe catava lixo nas ruas e estava sempre com a pele ruim, sem pelos, com pulgas e carrapatos e por causa disso ninguém gostava da gente…
Tínhamos um casa, muito mais um barraco do que uma casa, não por ser humilde não, mas porque as pessoas que lá moravam e se diziam nossos donos eram muito ignorantes, viviam no lixo e na escuridão…Cegos por vícios do corpo e da alma…
E assim fomos sobrevivendo…
Minha mãe foi tratada pela Sra. Iracema, que conseguiu levá-la para a castração, assim ela não teve mais filhotinhos para sofrer como eu sofri…
E eu, cio após cio, ganhava cria e meus filhotinhos, ahhhh coitadinhos, uns sobreviviam para depois terem a mesma vida triste e cruel, igual a minha e da minha mãe… E outros bebezinhos logo morriam doentes e desnutridos.
Vez por outra eu era enxotada dos lugares onde procurava um restinho de comida e às vezes ainda ouvia: “É melhor dar uma paulada na cabeça dessa cachorra fedorenta…”
Poxa vida, eu que sempre estava com a minha cabecinha baixa, me encolhia cada vez mais de tanto medo e falta de confiança no ser humano que sempre me humilhava e maltratava…
Alguns seres humanos, Wânia, Clara, Rose, Cris tentaram loucamente me resgatar para que eu fosse tratada e castrada, mas eu nunca confiei em ninguém, não sabia que queriam me ajudar e fugia… E sumia por dias…
Voltava sempre pele e osso, por isso me deram o nome de Caveira…
Não só por isso, mas porque sem a nossa pele, carne e músculos, somos todos ossos, todos iguais…
Mas infelizmente, diante do preconceito e egoísmo dos seres humanos, nunca me trataram como um igual, sempre fui tratada como um doença ambulante…
Um dia Cecília e Rita entraram na minha vida…
Se reuniram com as outras meninas e foram atrás de mim…
Percorreram uma trilha no meio do mato… Andaram longe… Subiram bastante…
Um dia, dois dias, três dias e nada de mim ou de minha mãe…
No meio dessa trilha ainda tiveram a tristeza de encontrar dois cavalos mortos, largados como lixo, como lixo…
Elas andaram pela lama, pelo esgoto, pelo lixo, só para ajudar a mim e a minha mãe…
Contudo na nossa cabecinha inocente, não sabíamos que era para o nosso bem e nos encondíamos de novo e de novo…
Hoje as “Anjas” Cecília e Rita conseguiram me resgatar, lutei muito, pois tive muito medo, não conseguia entender o porque daquilo…
Por que duas humanas me queriam tanto??
Logo eu, tão suja e fedorenta, cheia de pulgas, sem pelos, com um machucado cheio de bichos que cheirava carniça, e é claro, pele e osso…
Elas literalmente lutaram muito para me pegar, mas não desistiram de mim e assim me pegaram.
Pela primeira vez na minha vida andei de carro, muito assustada…
Fui para a Clínica para ser cuidada e tratada, para que ficasse mais fortinha para ser castrada…
Mas infelizmente, para a tristeza de todas as minhas madrinhas, Wânia, Clara, Cecília, Rita, Rose e Cris, eu não resisti aos ferimentos e meu coraçãozinho parou de bater…
Meu sofrimento acabou ali…
Não tive a chance de saber o que é o carinho de um ser humano…
Não deu tempo…
Mas agradeço de onde estou agora…
Estou em PAZ.
Pela primeira vez na minha vida inteira de sofrimento, me sinto livre.
Livre da fome, da sede, do frio, da chuva, dos chutes, dos xingamentos, das humilhações, das dores, das moscas, das larvas, das pulgas e carrapatos, das comidas azedas que fui obrigada a comer…
Livre de todo o sofrimento que o ser humano me fez passar…
Pois nunca tive uma chance…
Sabem o que eu já pude aprender por aqui?
Aprendi a abanar minha cauda… Coisa que nunca tive a oportunidade de fazer aí na Terra…
Mas aqui de frente para São Francisco de Assis aprendi o que é abanar meu rabinho, ter um afago amoroso na minha cabecinha e cheirar a perfume de alfazema…
Não chorem por mim não.
Estou bem.
Só peço uma coisa…
Ajudem a minha mãe e não desistam.
Continuem na luta pelos outros animaizinhos que ainda estão passando pelo que eu passei.
Obrigada.
Aubraços da Caveira.

ROSE DIAS
24 88014661
http://amigoviralata.wordpress.com/

About the author: Irmão Animal

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